Quando a gente diz não

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imagem: RDK

Vai lá
Estende a mão
Enlaça teus dedos nos meus
Faz crescer esse cordão
 
Acredita no tamanho dessa massa
Sente o alargar dessa intenção
Abraça o peso da leveza
Deixa rufar o coração
 
Não empunha a arma dos outros
Desenlaça essa corda no chão
Tira o nó do meu pescoço
Me entenda como irmão
 
Pois tem você e eu e eles
E, assim, uma nação
O som do sim seduz o incauto
Mas a coragem ecoa em um não

Aqui onde você está

Aqui onde você está_P2

por Cassiano Rodka

À tia Ruth

A mão da criança no coque
Dedinhos no cabelo, onde cada fio é um segundo
Desmonta o penteado como quem desafia o tempo

A mão do adolescente no pote de azeitonas
Dedos no vidro, onde um olhar carinhoso se esconde
Degusta cada minuto até o caroço

A mão do adulto é ocupada demais
Deduz o tato, o contato e paga o pato
Desvenda a sombra das horas que passaram num sopro

O tempo se aproxima como a água na beira do mar
Discreto e de mansinho e de repente a nos molhar
Desfaz o castelo, o colo e o carinho

Mas a distância entre nós, ela hoje não há
De certo, é isso que o tempo enfim nos dá
Desagua nossos momentos em um só lugar

A canção de Fausto

A canção de Fausto_P2

por Cassiano Rodka

De prazer em prazer
Quem é o próximo a entrar?
Fecha a porta e abre a boca
Não esquenta o teu lugar

Larga a máscara na entrada
E qualquer boa intenção
Deixa bater a porta
Mas não me mova o coração

Até quando eu vou seguir?
E por quanto eu vou parar?
Até quando eu vou seguir?
E por quanto eu vou parar?

De vazio em vazio
Quem te disse pra ficar?
Abre a porta e fecha a boca
Não espera eu ligar

Deixa a alma na saída
E o amargo da omissão
Larga de leve a porta
Mas não me leve o coração

Até quando eu vou seguir?
Perco a aposta pra ganhar
Até quando eu vou seguir?
E por quem eu vou cessar?

Avisa o mundo

Avisa o mundo_P2

por Cassiano Rodka

Vai lá e avisa o mundo
Que tu tá preparado
Que não há nada que ele te jogue
Que não possa ser mastigado

Fala ali pra ele
Que tudo foi engolido
Sapo, príncipe, princípios
Tudo já foi transformado

Revela que todo mistério
Já foi por ti desvendado
Que não há truque ou mágico
Que possam fugir teu rugido

Diz tudo o que tu pensa
Sobre essa falta de rebolado
Baixa as calças do mundo
Deita e vira pro lado

Conto de fadas – Capítulo III

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por Cassiano Rodka

Achei que era carruagem, era carroça
Príncipe de nada, rei da troça
Sambando sem molejo, maldizendo a bossa
Achei que era carruagem, era carroça

Achei que era castelo, era palhoça
Um guerreiro tão belo, uma armadura que coça
Bancando o bobo da corte, mergulhando na fossa
Achei que era castelo, era palhoça

Achei que era permitido, talvez não possa
Dar a mão ao inimigo, fazer vista grossa
Então me ponho de castigo, era uma vez essa joça
Achei que fosse consumado, falha nossa!…

Permanência

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por Cassiano Rodka

Me corte um pedaço a cada dia
Jogue em minha cabeça um balde de água fria
E, antes que eu me aqueça, me negue alforria
No suíngue deste açoite, eu encontro a minha folia

Traga sua nuvem, anoiteça o meu dia
Desça o sarrafo e quebre os dentes da alegria
Faça a sua marcha, era tudo o que eu queria
No enterro de meus ossos, eu floresço em melodia