Seja o outono

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ilustração: Cassiano Rodka

Como folhas secas, vocês serão esmagados. Um a um, lentamente, por pés cansados e cheios de chinfra. Cansa. A caminhada cansa. O sapato desgasta, mas não a esperança. Senhora teimosa ela, cotovelos sempre na janela. Ela aguarda para ver a banda passar. Alguma banda há de passar. Vai cair. Ele vai cair. Como folha seca. O som do sapato sobre a folha seca. Que som, meus amigos, que som! 

Que ventania foi essa? Parecia que ia levar tudo. Levou foi nada! O vento parou de soprar. Piano, pianinho. Deu lugar a uma chuva mansa que, em São Paulo, passa em 15 minutos e olha ali o sol. O sol trouxe você. Ou você era o próprio sol. O verão se instalou no meu relógio, iluminou cada segundo. E olha nós descendo a rua na grande parada. A banda tocando e a gente pisando nas folhas secas. O som das folhas se esfarelando, que música! Deixem os sapatos cantarem, meus amigos! 

Mas não esqueçam que as estações mudam. Na dança da mudança, não emudeçam. Sigam cantando. O tempo passa, como a banda. O calor dá lugar ao frio, as folhas voltam a crescer e o copo, mais uma vez, vazio. A parada não para. O coro aumenta. A bandeira agita. O outono retorna. Faz a folha cair novamente. Seja o outono. De novo e de novo. 

Deixa o Ano Novo ser um novo ano. Deixa mover, deixa seguir, deixa mudar. Deixa o sapato cantar. 

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